Desconectar para reconectar
Esta era a "mensagem" gravada em um guarda-chuva que comprei numa quinta-feira de outono, onde a cor do céu se confundia com o concreto dos prédios e as nuvens se mostravam prontas para desaguar.
Foi o que aconteceu assim que desci do ônibus para cumprir a última etapa do trajeto até o escritório: oito minutos de caminhada. A chuva intensa desabou acompanhada de um vento que parecia surgir de todos os lados. Logo vi que sem proteção, como eu estava, passaria a manhã ensopada. Com pressa, sempre, entrei na primeira loja, peguei o guarda-chuva, paguei, e só quando caminhava segurando o cabo, me atentei à mensagem: Desconectar para Reconectar. Há quanto tempo eu não desconectava? Me perguntei assim que li. Respirei, agora mais profundamente e conscientemente, e fiz a mim mesma a pergunta que realmente incomodou: eu ainda sabia me desconectar?
2023 se mostrou um ano desafiante. Com uma grande mudança, de país, de vida, vi que todo planejamento não me impediu de encarar a mim mesma começando muitas coisas do zero, ainda que outras tantas não pudessem parar. Ser mãe, executiva, empreendedora, dona de casa, amiga, mulher e ainda escrever eram muitos papéis e, para dar conta de uns, outros foram deixados de lado, como esta newsletter. Como me ver como mulher.
Em dezembro, me obriguei a parar. No correr da vida que foi 2023, já não sabia quando tinha dormido uma noite inteira, não conseguia organizar as palavras para escrever um parágrafo e não me lembrava de quando tinha desfrutado de um orgasmo. Sim, até o meu prazer se tornou automático. Uma válvula de escape física e breve para a pressão do dia a dia. Afinal, conheço bem meu corpo, o que gosto e sei os atalhos para chegar rapidamente ao êxtase.
Assim, foquei no resultado e não percebi que passei a viver só dos caminhos curtos, sem usufruir da amplidão dos sentidos e da entrega consciente para usufruir o prazer. Por tudo isso, dezembro, depois de quase dois meses ruminando uma simples mensagem no cabo de guarda-chuva, eu desconectei para me reconectar.
Nesta pausa, não só consegui dormir, como também dei espaço para minha cabeça refletir sobre várias coisas que eram frequentemente colocadas para depois nas listas de "To Do's".
Também foi na pausa que decidi o que queria fazer com este espaço, que, apesar de muitas tentativas, idas e vindas, estava sem personalidade.
Percebi que este é um espaço onde eu, Tâmara, tenho a liberdade de exercitar minha escrita e de compartilhar minhas vivências, reflexões e aprendizados sobre a sexualidade e sobre a vida. Afinal, a sexualidade é um tijolo importante, mas não é tudo. E é isso que este espaço será. Uma forma de dividir o que tenho sentido, e principalmente, como anda o meu prazer e sexualidade no meio do turbilhão chamado vida.
Escreverei uma vez por mês, sem pressões de dias ou um calendário fechado. Sem uma pauta pré-estabelecida. Compartilharei o que eu viver, o que sentir.
Claro, a Tâmara é sócia da Muito Prazer. Então, falar das minhas vivências também será falar de empreender neste segmento, contar o que estamos criando, mostrar o que acreditamos e o que mandamos todos os meses para as nossas clientes e assinantes.
Mas não será só isso, afinal, aqui também tenho liberdade para compartilhar com você coisas bacanas que vi por aí.
No geral, será isso que você irá encontrar daqui pra frente: reflexões e histórias da minha vida, um pouco do que está rolando na Muito Prazer: nossos avanços, nossas caixas e kits, dicas de coisas para ver, ler, ouvir, sentir, conhecer e um convite, sempre surpresa, por vezes inesperado. E tudo bem se você achar que neste novo formato a news não é mais para você. Isto é importante para a vida, saber dizer não é escolher o que nos faz bem ou acrescenta. 😉 E se decidir ficar, é muito bem-vinda para trocar, compartilhar e claro, dividir comigo esta jornada.
E a Muito Prazer?
2023 foi tempo de entender ainda mais o que queríamos, qual era nosso real posicionamento. Encerramos o ano com uma caixa linda que transmitia em forma de produtos nossos desejos para as assinantes: autocuidado, renovação, ousadia, fantasia, calor, energia, beijos e sabores doces, além de prazer e paz.
Começamos 2024 certas de que somos um motor de transformação, que realmente vamos desafiar a ideia convencional do prazer ao colocar a intimidade, o autoconhecimento e a conexão no centro de tudo. E decididas a ir além de produtos e serviços e de fato nos tornarmos uma força para ajudar mulheres a se conhecerem melhor, entenderem o que faz bem para si mesmas e ganharem confiança para explorar novas dimensões do prazer.
Vem muita coisa boa por aí.
Para ler, ver, ouvir, sentir, viver
A música Amanhecer do BK me fez lembrar do quanto eu, na juventude, buscava nas relações a poesia erótica do Djavan:
Viajar,Entre pernas e delícias…
…Juntos, dentro, horas
Tudo ali às claras
Mais uma vez percebi o quanto, em tudo, estar entregue, presente, completo e sem pressa é ter prazer.
Você já dormiu nua?
Admito que vivendo o inverno europeu esta parece uma hipótese distante, mas vez ou outra eu coloco o aquecedor do quarto na temperatura máxima, capricho nos cobertores e edredons e aproveito a delícia que é sentir o toque dos lençóis por todo meu corpo. Percebo que amanheço muito melhor no dia seguinte.
Agora um levantamento encomendado por uma empresa que vende colchões, travesseiros e roupas de cama orgânicos mostrou que pessoas que dormem sem roupa estão mais felizes com a sua vida sexual.
Por isso, este é o meu convite para você neste mês. Que tal dormir nua esta noite?


